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Para marcas6 min de leitura

Como escrever um briefing de UGC que não volta refeito

Vídeo que chega errado quase nunca é problema de execução — é briefing que não disse o que precisava. Este guia separa o que a máquina confere do que a pessoa lê, mostra por que cada regra obrigatória a mais derruba entrega, e termina com um modelo para copiar.

O vídeo chegou e não serve. O produto aparece de costas, ninguém diz o nome da marca, e o criador jurou que seguiu o que estava escrito.

Ele seguiu. O problema é que o que estava escrito não era o que você queria.

Briefing de UGC não é briefing de agência. Quem vai gravar não é diretor de arte: é uma pessoa com um celular, gravando na cozinha dela, entre outras duas coisas do dia. Ela não vai inferir o que você quis dizer — vai fazer exatamente o que está na tela, e o que não estiver não acontece.

As cinco coisas que precisam estar escritas

Falta qualquer uma delas e o vídeo volta.

1. O que é o produto, em uma frase. Não o release. A frase que a pessoa usaria para explicar para a irmã dela. "Café em cápsula que funciona em máquina Nespresso" é briefing. "Experiência sensorial de origem única" não é.

2. Quem assiste. Não a faixa etária — a situação. "Quem acorda com pressa e toma café em pé" diz ao criador como gravar. "Mulheres de 25 a 45 anos" não diz nada que mude uma decisão de gravação.

3. O que precisa aparecer na imagem. Aqui seja literal: o rótulo tem que estar legível? O produto precisa aparecer na mão, aberto, em uso? A embalagem tem que entrar inteira? Isto é o que mais volta errado, e quase sempre porque estava implícito.

4. O que não pode ser dito. A parte que ninguém escreve e todo mundo descobre tarde. Alimento, cosmético e suplemento têm alegações proibidas — "emagrece", "cura", "trata" — e quem grava não sabe disso. Se existe uma frase que o seu jurídico não aprovaria, escreva que ela não pode ser dita.

5. Formato e duração. Vertical, 9:16, entre 20 e 40 segundos. Um número, não uma faixa larga: "até 60s" vira 58 segundos de vídeo em que nada acontece.

Obrigatório e desejável não são a mesma lista

Esta é a parte que muda o resultado, e é a que quase todo briefing erra.

Na Social Buzz, três coisas da legenda são conferidas por máquina, caractere a caractere, no momento em que a entrega chega:

  • a hashtag obrigatória da campanha
  • a menção à marca
  • a identificação de publicidade

Todo o resto do briefing é lido por gente — ou por ninguém, se o vídeo estiver óbvio. E é daí que sai a regra prática:

Cada item obrigatório é uma nova forma de a entrega falhar sozinha. Três hashtags obrigatórias não são três vezes mais marca: são três chances de o criador esquecer uma e a entrega cair antes de qualquer humano ver o vídeo.

Então separe as duas listas de verdade:

Obrigatório é só o que você recusaria a entrega por faltar. Uma hashtag. Uma menção. Ponto. Se você não recusaria o vídeo por causa daquilo, aquilo não é obrigatório — é desejável, e vai no corpo do briefing.

Desejável é tudo o que melhora o vídeo sem invalidá-lo: mostrar a embalagem, falar o preço, gravar de manhã. Escreva como orientação, não como exigência, e o criador vai atrás sem medo de errar.

Os oito motivos que fazem uma entrega ser recusada estão detalhados em o que faz uma entrega ser recusada. Vale ler antes de fechar o briefing: metade deles nasce de coisa que a marca escreveu de um jeito que não dava para cumprir.

Hashtag, menção e #publi

A identificação de publicidade não é escolha sua. O Código de Defesa do Consumidor exige, no artigo 36, que a publicidade seja imediatamente identificável como tal, e o guia do CONAR para publicidade por influenciadores detalha como isso se aplica a conteúdo de criador. Não é preferência de marca, não é negociável, e não adianta pedir para tirar porque "atrapalha o engajamento". Aqui isso é conferido automaticamente em toda entrega.

A hashtag da campanha é sua escolha — e uma basta. Ela serve para você achar o material depois. Se você precisa de três, provavelmente são três campanhas.

A menção pede um cuidado que passa despercebido: o @ muda de rede para rede. A mesma marca costuma ser @marca no Instagram e @marca.br no TikTok. Se a campanha aceita as duas plataformas e o briefing traz um @ só, a metade que publicar na outra rede vai errar sem saber — e a entrega cai por menção ausente, num erro que foi seu. Escreva o @ de cada rede que a campanha aceita.

O briefing muda conforme o modelo de pagamento

O mesmo produto pede briefings diferentes dependendo do que você está comprando:

  • Valor fixo — você paga pela peça. O que importa é o acabamento: enquadramento, luz, o produto legível. É aqui que detalhe de execução merece espaço no briefing.
  • Por mil visualizações — você paga o alcance que aconteceu. Os três primeiros segundos são o briefing: se o vídeo não segura, não há alcance para pagar. Diga como abrir, não só o que mostrar.
  • Por clique — o vídeo precisa levar alguém a sair dali e clicar. Isso não acontece por acaso: o briefing tem que pedir o clique, e dizer o que a pessoa encontra do outro lado.
  • Por cadastro — o resultado é alguém preencher um formulário. O vídeo precisa dizer o que a pessoa ganha ao se cadastrar, em palavras dela.

Se você ainda está escolhendo entre os quatro, quanto custa uma campanha de UGC faz as quatro contas.

Modelo para copiar

PRODUTO
[Uma frase. O que é, para que serve.]

QUEM ASSISTE
[A situação da pessoa, não a faixa etária.]

O QUE PRECISA APARECER
- [Ex.: produto na mão, rótulo legível]
- [Ex.: produto em uso, não só na bancada]

O QUE NÃO PODE
- [Ex.: não dizer que emagrece]
- [Ex.: não citar concorrente]

FORMATO
Vertical 9:16, de 20 a 40 segundos, áudio do celular serve.

COMO ABRIR
[Só em campanha por views ou clique: como são os 3 primeiros segundos.]

OBRIGATÓRIO NA LEGENDA
#suahashtag · @seu.perfil.instagram · @seu.perfil.tiktok · #publi

BOM TER (não obrigatório)
- [Ex.: mostrar a embalagem sendo aberta]
- [Ex.: dizer o preço]

O teste de trinta segundos

Antes de publicar a campanha, releia o briefing fingindo que você nunca viu o produto e responda três perguntas:

  1. Eu saberia o que gravar amanhã de manhã? Se a resposta depende de perguntar alguma coisa, falta um item.
  2. O que é obrigatório dá para cumprir sem consultar ninguém? Hashtag e @ precisam estar escritos, prontos para copiar. "Marque a marca" não é instrução — é adivinhação.
  3. Se eu fizer exatamente o mínimo do que está escrito, o vídeo serve? Se não serve, o mínimo está escrito errado. Corrija o briefing, não o criador.

Briefing bom não é briefing longo. É o que responde essas três perguntas antes que alguém precise fazê-las.

Quer ver isso rodando para a sua marca?

Conte o que você precisa e o time comercial monta a campanha com você — do briefing ao formato de pagamento.