"Quanto custa um vídeo de UGC?" é a pergunta errada — mas é sempre a primeira.
A resposta de mercado fica entre R$ 100 e R$ 600 por vídeo, com plataformas anunciando peças a partir de R$ 169. Só que esse número sozinho não diz se a campanha cabe no seu orçamento, porque ele responde quanto custa a peça, e o que você precisa saber é quanto custa o resultado.
Este texto faz as quatro contas.
Antes da conta: o que está dentro do preço
Três variáveis mudam o valor da mesma peça, e é comum descobrir tarde:
- Direito de uso. Vídeo só para o perfil do criador custa menos que vídeo que você pode impulsionar como anúncio. Se o plano é usar em mídia paga, isso precisa estar no combinado desde o começo — renegociar depois de pronto é sempre mais caro.
- Exclusividade. Impedir que o criador grave para o concorrente tem preço. Na maioria das campanhas, não vale pagar por isso.
- Quem assume o risco. Preço fechado é previsível para você. Pagamento por desempenho joga parte do risco para quem publica — e costuma sair mais em conta por resultado.
As quatro contas
1. Valor fixo — orçamento fechado, resultado aberto
Você paga por vídeo aprovado, independentemente de quantas pessoas virem.
A conta: valor por vídeo × número de peças.
30 vídeos × R$ 60 = R$ 1.800, e você sabe disso antes de começar.
Use quando o que você precisa é material: peças para testar em mídia paga, prova social na página de produto, banco de criativos.
O risco: você pagou pela peça, não pelo alcance. Se o objetivo era aparecer, o fixo sozinho não garante isso.
2. Por mil visualizações (CPM) — você paga o alcance que aconteceu
A conta: (visualizações ÷ 1.000) × valor do CPM.
Orçamento de R$ 10.000 a R$ 15 por mil views = até 666 mil visualizações.
Use quando o objetivo é alcance e você quer que o orçamento acompanhe o resultado — vídeo que não engaja custa pouco, vídeo que estoura entrega muito.
O que definir: um teto por publicação, senão um único vídeo viral pode consumir a campanha inteira; e uma data de corte, o prazo depois do qual as views não contam mais. Sem os dois, o orçamento vira loteria.
3. Por clique (CPC) — você paga quem saiu do vídeo e foi ao seu site
A conta: cliques × valor por clique.
R$ 3.000 a R$ 1,50 por clique = 2.000 visitas ao seu site.
Use quando o vídeo precisa levar a algum lugar: página de produto, catálogo, aplicativo. O clique é o primeiro sinal de intenção real, e mais barato de comprar que um cadastro.
O que conferir: quem conta o clique. Se a contagem é do próprio criador ou de um encurtador genérico, não há auditoria — o número precisa vir de um redirecionador que você consiga cruzar com o seu analytics.
4. Por cadastro (CPL) — você paga o lead
A conta: cadastros × valor por cadastro.
R$ 6.000 a R$ 6 por cadastro = 1.000 leads.
Use quando existe formulário, teste grátis ou lista de espera no fim do caminho. É o modelo em que o custo por resultado é mais direto de comparar com os seus outros canais.
O que conferir: o que conta como cadastro válido e em quanto tempo o resultado é conciliado. Lead duplicado, falso ou fora do público não pode entrar na fatura — e a regra tem que estar escrita antes.
Como dimensionar o orçamento na prática
Comece pelo objetivo, não pelo valor:
- Preciso de peças? Some quantas e multiplique pelo fixo. É o único formato em que o número final é conhecido antes.
- Preciso de alcance? Defina o orçamento total e o teto por publicação. O CPM entrega até acabar a verba.
- Preciso de tráfego ou cadastro? Traga o CPC ou CPL que você já paga em mídia hoje e use como referência. Se o UGC entregar abaixo disso, o canal se paga sozinho.
Uma regra prática para a primeira campanha: reserve 20% a 30% para teste. Rode com um número menor de criadores, veja quais ganchos funcionam e depois coloque o resto do orçamento no que já provou que converte. Testar depois de gastar tudo é caro; testar antes é o que o UGC permite e a mídia tradicional não.
O erro de orçamento mais comum
É comparar UGC com produção de vídeo.
Uma produtora entrega uma peça caprichada por R$ 8 mil. Trinta criadores entregam trinta peças pelo mesmo valor. Parece que a produtora perdeu — mas os dois produtos são diferentes: um é uma peça de marca, o outro são trinta variações reais para descobrir qual mensagem funciona.
O UGC não substitui a peça institucional. Ele resolve o que a peça institucional não resolve: volume, teste e credibilidade de gente real — e 92% dos consumidores confiam mais na recomendação de uma pessoa do que na publicidade da marca.
Coloque os dois no mesmo orçamento só depois de decidir qual pergunta você está tentando responder.