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Começando4 min de leitura

O roteiro de 30 segundos que faz um vídeo de UGC ser aprovado

Quase todo vídeo recusado tem o mesmo problema — não é imagem nem áudio, é estrutura. Este é o esqueleto de quatro partes que funciona em qualquer campanha, com o que dizer em cada segundo.

Existe um mito confortável de que vídeo de UGC é "só falar naturalmente".

Naturalidade é o tom, não a estrutura. Os vídeos que passam na conferência e convertem para a marca seguem quase sempre o mesmo esqueleto — e quem grava sem esqueleto costuma entregar quarenta segundos de conversa simpática que não mostram o produto, não dizem o que ele resolve e terminam sem chamada.

O esqueleto tem quatro partes. Em trinta segundos, fica assim.

Segundos 0 a 3 — o gancho

É a parte que decide tudo. Se ninguém passar dos três segundos, o resto do vídeo não existe.

Comece pelo problema ou pelo resultado, nunca pela apresentação. "Oi gente, tudo bem? Hoje eu vim falar sobre…" é o jeito mais rápido de perder a pessoa: são três segundos gastos sem dizer nada.

Ganchos que funcionam:

  • "Eu passei dois anos comprando o shampoo errado."
  • "Isso aqui resolveu o problema que eu tinha toda manhã."
  • "Ninguém me contou isso antes de eu gastar R$ 300."
  • Ou o gancho visual: comece com o antes, sem falar nada.

O que evitar: saudação, apresentação, "hoje o vídeo é um pouquinho diferente", e qualquer frase que só faça sentido depois.

Segundos 3 a 10 — o contexto

Aqui você diz de quem é o problema. É o trecho que faz quem assiste pensar "isso é sobre mim" — e é ele que separa recomendação de propaganda.

Fale da sua rotina real: a hora do dia, o lugar, o que dava errado. Um detalhe concreto vale mais que três adjetivos. "Eu treino 6h da manhã e não conseguia tomar café antes" diz mais que "eu tenho uma rotina bem corrida".

Segundos 10 a 22 — o produto em uso

O trecho mais esquecido: mostrar, não descrever.

  • Abra, use, aplique, prove, monte — na câmera.
  • O rótulo precisa aparecer legível em algum momento.
  • Fale o nome da marca em voz alta uma vez. Legenda pode ser cortada; áudio não.
  • Se a campanha pede menção ou hashtag, elas vão na legenda e o nome no áudio ajuda.

Aqui também mora a diferença entre um vídeo que a marca reaproveita e um que ela só aprova: o trecho de uso é o que ela consegue transformar em anúncio.

Segundos 22 a 30 — o fecho com direção

Termine dizendo o que a pessoa faz agora. Sem chamada, o vídeo vira um elogio solto.

  • "Se você tem esse problema, vale testar."
  • "O link está na descrição." — se a campanha tiver link.
  • "Comenta aí se você quer que eu mostre o resultado em um mês."

E o fecho honesto funciona melhor que o superlativo: "não resolveu tudo, mas resolveu o que eu precisava" soa mais verdadeiro — e é lido como recomendação de gente, que é justamente o que a marca está comprando.

O esqueleto em uma tabela

Tempo O que entra Erro comum
0–3s Gancho: problema ou resultado Saudação e apresentação
3–10s Contexto: de quem é o problema Adjetivo genérico
10–22s Produto em uso, rótulo legível Só falar, não mostrar
22–30s Fecho com direção Terminar sem chamada

Antes de gravar: escreva três frases

Não decore roteiro — decorado sempre parece decorado. Escreva só três frases num papel:

  1. a frase do gancho;
  2. a frase que mostra o produto;
  3. a frase do fecho.

O meio você fala de improviso, e é aí que a naturalidade entra. Esse é o equilíbrio: estrutura decidida antes, palavras escolhidas na hora.

Três detalhes que aumentam a aprovação

  • Grave dois takes do gancho. Só do gancho, não do vídeo inteiro. Escolha o melhor na hora de publicar.
  • Assista sem som. Se não dá para entender o que é o produto, falta imagem.
  • Confira a lista de obrigatórios antes de publicar — menção, hashtags, #publi. É onde nasce quase toda recusa, e leva trinta segundos.

Por que isso importa mais que equipamento

Um vídeo bem estruturado gravado no celular é aprovado. Um vídeo lindo, com luz cara e sem gancho, é recusado ou aprovado e não performa — e no fim das contas o que faz a marca voltar com a próxima campanha é o segundo número, não o primeiro.

Estrutura é a única parte disso que não custa dinheiro nenhum para melhorar.

Dá para começar hoje, com o perfil que você já tem.

As campanhas abertas mostram o valor, a forma de pagamento e quanto resta de orçamento antes de você aceitar.