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Começando4 min de leitura

Você não precisa de 100 mil seguidores para ser pago por marcas

O que as marcas compram em UGC não é a audiência que você acumulou — é o vídeo e o que ele entrega. E vídeo bom vem de gente que sabe filmar o próprio dia, não de gente com muitos seguidores.

Existe uma confusão que atrasa muita gente: achar que trabalhar com marcas é a mesma coisa que ser influenciador.

São dois negócios diferentes, com dois produtos diferentes.

Publicidade com influenciador × UGC

Influenciador vende audiência. A marca paga para falar com os seguidores dele. O preço acompanha o tamanho e o engajamento do perfil, e por isso quem tem pouca audiência não entra nessa conta.

UGC não vende o tamanho do seu perfil. User-generated content é conteúdo com cara de pessoa real, não de comercial. Às vezes a marca contrata só a gravação, e o vídeo vai para os anúncios dela. Às vezes o vídeo sai no seu perfil, e o que ela paga acompanha o que ele entregou — visualizações, cliques ou cadastros. Nos dois casos, o que decide o valor não é quantos seguidores você acumulou.

Aí está o ponto: no UGC, o tamanho do perfil deixa de ser o preço. O que importa é se o vídeo parece verdadeiro e o que ele faz acontecer.

Por que o vídeo de pessoa comum funciona melhor

Porque o público aprendeu a reconhecer comercial. Um vídeo produzido, com luz montada e locução, é identificado como anúncio em menos de dois segundos — e ignorado.

O vídeo gravado na cozinha, com a luz da janela, segurando o produto de verdade, não dispara esse alarme. Ele parece o que é: alguém mostrando uma coisa que usou.

Isso não é opinião de marketing. É o motivo pelo qual marcas grandes passaram a comprar vídeo de gente com 2 mil seguidores em vez de só patrocinar quem tem 500 mil.

O que realmente pesa na sua vez

Se não é seguidor, é o quê? Na prática, quatro coisas:

Áudio limpo. É o item mais subestimado. Vídeo tremido com áudio bom passa; vídeo bonito com áudio abafado é recusado. Grave em ambiente sem eco, longe de ventilador e televisão.

Luz na sua frente, não atrás. Fique de frente para a janela. Se a janela estiver atrás de você, você vira silhueta.

Os primeiros três segundos. Comece pelo que interessa. "Oi gente, tudo bem?" gasta o único trecho que todo mundo assiste. Comece com o problema ou com o produto na mão.

Seguir o briefing. Parece burocracia, mas é o que mais reprova entrega. Se a campanha pede que o rótulo apareça, o rótulo tem que aparecer. Se pede vertical, não mande horizontal. A maioria das recusas é isso — não é qualidade, é instrução não seguida.

Como começar sem ter feito nada antes

  1. Cadastre o perfil que você já tem. Não crie um perfil novo "profissional". Perfil com histórico real vale mais que perfil vazio bonito.
  2. Pegue uma campanha de valor fixo primeiro. O valor não depende de alcance, então o resultado não depende de você já ter audiência.
  3. Entregue rápido. Prazo curto e resposta rápida contam mais para a próxima campanha do que a contagem de seguidores.
  4. Reaproveite o que aprendeu. O segundo vídeo é sempre melhor que o primeiro, e o quinto já tem método.

O que não fazer

  • Comprar seguidor. Além de não ajudar (o pagamento não é por seguidor), derruba o engajamento, que é o que realmente é olhado.
  • Postar e apagar. As campanhas costumam exigir que o post fique no ar por um período. Apagar antes cancela o pagamento.
  • Esquecer o #publi. Publicidade não sinalizada é problema seu com o CONAR e com o Código de Defesa do Consumidor, não da marca.

Comece pelo que já existe

As campanhas abertas mostram o valor, as redes aceitas e o que é obrigatório na publicação antes de você aceitar. Não há convite, e não existe um piso de seguidores da plataforma: quando há exigência de tamanho de audiência, ela é daquela campanha e está escrita na página dela. A maioria não tem nenhuma.

Ver campanhas abertas

Perguntas frequentes

Dá para ser pago por marcas com poucos seguidores?

Dá, e é exatamente o que o UGC é. O influenciador vende acesso à audiência dele, e o preço acompanha o tamanho do perfil. O UGC vende o vídeo e a credibilidade de quem aparece nele — o tamanho do perfil deixa de ser o preço, e o que importa é se o vídeo parece verdadeiro.

Comprar seguidores ajuda a conseguir campanha?

Não, e atrapalha. O pagamento não é por seguidor, e seguidor comprado derruba o engajamento, que é o que de fato é olhado.

Vale criar um perfil novo, só para trabalhar com marcas?

Não. Perfil com histórico real — amigos, comentários, publicações antigas — tem exatamente o que a marca está comprando: parece gente. Perfil vazio criado ontem parece o contrário, e é ele que costuma travar na conferência.

Posso apagar a publicação depois de receber?

Não. As campanhas costumam exigir que o post fique no ar por um período, e apagar antes do prazo cancela o pagamento.

Dá para começar hoje, com o perfil que você já tem.

As campanhas abertas mostram o valor, a forma de pagamento e quanto resta de orçamento antes de você aceitar.